A queda do muro

A URSS nunca teve dificuldades com o sistema fordista. De fato, a centralização e eficiência deste sistema se encaixavam muito bem com a economia planifica do país. Entretanto, com o sistema taylorista foi diferente: muito mais flexível, propondo produzir apenas o que o mercado demandava. Esse sistema fez muito sucesso nos Estados Unidos e no Japão, mas não era compatível com o comunismo, e é essa mudança no paradigma industrial mundial que causou uma forte crise no bloco socialista na década de 1980.

O país não conseguia arcar com os custos militares, causados pela  corrida armamentista, pela guerra contra o Afeganistão e a ameaça de um conflito com a China. Além disso, ainda havia a necessidade de enviar ajuda econômica e militar a aliados mais fracos, principalmente na África. A escassez de produtos, os baixos salários e o descontentamento da população com a falta de democracia levaram Gorbatchov, na época primeiro-ministro, a realizar duas propostas de modernização: a perestroika, que visava a abertura econômica, e a glasnost, que consistia no aumento da transparência política.

Em Berlim, essas reformas, aliadas ao descontentamento do povo com o regime socialista resultaram em um clima de grande agitação social. O fluxo migratório entre as duas Alemanhas se mostrava impossível de ser contido, até que, no dia 9 de Novembro de 1989, o muro foi destruído e, com ele, caiu também o comunismo.

O fim da guerra fria abalou a fé de várias pessoas no capitalismo e no comunismo, pois o último não sobreviveu às transformações econômicas da época, e o primeiro não conseguiu trazer o progresso e o desenvolvimento para todo o Mundo, mesmo em uma situação de abertura econômica. As novas maneiras de pensar o mundo e sua complexidade são duas heranças deste momento histórico que são pouco lembradas, mas que são de grande importância.

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Uma resposta para A queda do muro

  1. Tatyane Estrela disse:

    É por isso que hoje em dia a velha discussão Capitalismo X Socialismo adormece como um vulcão, que embora silenciosa continua viva no imaginário coletivo. Tal discussão vai muito além de uma revisão historiográfica e leva a uma questão bem atual: qual seria o melhor sistema para a humanidade se estabelecer de forma equilibrada, com a maximização do potencial humano?

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