O que você vê?

Todos, quando olham para alguma coisa, veem algo diferente do que outros viram. Não importa o que seja, sempre haverão vários pontos de vista. Isso porque as lembranças e experiências de cada indivíduo têm influência direta nessas visões.

O que você vê na imagem abaixo?

Quando olhei pela primeira vez, não tive dúvida: “É uma paisagem, com algumas plantas em primeiro plano, um lago e ao fundo algumas montanhas”. Uma bela paisagem, mas nada de diferente…

Quando me disseram que tinha uma coisa em especial que eu não estava vendo, olhei mais atentamente, mas mesmo assim não percebi. Foi então que me disseram: “É um muro!”, “O que parece um lago na verdade é um muro…”.

Achei a imagem espetacular, a forma como minhas memórias de outras paisagens parecidas me “impediram” de ver o muro, a forma com que olhei para ele. O assunto é Muro de Berlim e nele isso também aconteceu.

Uns o viam como um simples muro, outros como a forma física de uma divisão ideológica, mas outros ainda como uma obra de arte em potencial… uma tela. E é isso que quero mostrar. A capacidade e criatividade do homem em transformar o símbolo da Guerra Fria em um mural, com pinturas críticas sobre ele mesmo.

Veja algumas das pinturas mais expressivas no Muro de Berlim nesse vídeo.

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Sobre Raphael Furquini

Futuro BC&Hagueiro e Economista.
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3 respostas para O que você vê?

  1. Myrian disse:

    Ótima analogia… Eu realmente não tinha reparado que a imagem se tratava de um muro….

  2. Juliana Fabbron disse:

    Rapha, achei seu post muito interessante, pois ele retrata um outro aspecto da separação entre Berlim Oriental e Ocidental.
    Estamos muito acostumados a ouvir falar do Muro de Berlim, mas são raras as vezes que discutimos sobre ele referente à questão social. Normalmente, quando falamos sobre essa separação, colocamos em primeiro lugar os fatos políticos que levaram a tal acontecimento.
    Gostei muito do vídeo acima porque ele mostra a insatisfação das pessoas frente a esse conflito ideológico. A pintura se torna a personificação do sentimento daqueles que sofrem a imposição dessa separação.
    Sabemos os fatos políticos e econômicos que culminaram na criação desse Muro. São esses fatos que aprendemos quando estudamos e que se tornam simplesmente uma parte do nosso conhecimento. Não nos importamos, não nos indignamos, pois torna-se fácil analisar esses fatos e deixá-los no passado, como uma parte da história.
    Eu acredito que deveríamos nos importar mais com fatos dessa magnitude, que marcaram a história. Acho que deveríamos, mais do que buscar entender essa separação por fatos políticos ou econômicos, nos ater à questão social.
    Como as pessoas se sentiram com a criação do Muro? O que o cidadão de Berlim Oriental sentia? E o de Berlim Ocidental? Será que com o tempo a população se acostumou com a imposição do muro e as insatisfações diminuíram? Ou será que as insatisfações aumentaram? O que aconteceu com famílias que foram obrigadas a se separar? Será que as pessoas insatisfeitas tomaram algum tipo de atitude para que essa imposição acabasse?
    São questionamentos desse tipo que deveríamos fazer. São eles que nos levam a entender de fato o que foi essa separação.
    Afinal, não foi simplesmente uma separação entre ideologias, e sim uma separação concreta, um muro feito de aço, cimento e cercas de arame farpado com armadilhas e explosivos.
    Esse Muro separou amigos, famílias. Separou uma Nação. E se tornou um marco do período em que o mundo foi dividido em dois, segundo duas ideologias.

    E acredito que o nosso blog possui informações que fornecem a base para a criação do projeto que idealizamos. Esse projeto teria como principais pontos entender a influência do Muro de Berlim na vida dos cidadãos; analisar a influência de ideologias distintas sobre a população, a aceitação ou insatisfação referente a essas ideologias, assim como o grau de insatisfação decorrente de todos esses anos de Muro; e as consequências que essa separação proporcionou à atualidade.
    Portanto, mais do que nos questionarmos quanto aos fatos políticos ou econôminos, tentaríamos entender o aspecto humano, os sentimentos, as insatisfações, a luta, a busca pela liberdade, que por 28 anos, foi para muitas pessoas nada mais do que uma utopia.

  3. Tatyane Estrela disse:

    Fantástica a forma como as pessoas interpretam e transformam as coisas. Paisagem: lago ou muro? A transformação de um muro, que a princípio é algo frio, símbolo de repressão, num painel de arte, espaço dedicado a livre expressão da criatividade, me parece uma clara demonstração da complexidade na relação humana com os objetos. As idéias e impressões se misturam, se sobrepõem, intercalam em camadas suaves que tomadas em conjunto nos dão uma visão mais completa do mundo sensível.

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