Pulando a cerca…ops!…o Muro.

O cartaz acima, avisando aos transeuntes que se está deixando a parte que se encontra sob influência americana da Alemanha, é hoje encontrado dentro do museu Haus am Checkpoint Charlie.  Junto dele, podemos conhecer um pouco mais sobre as histórias das fugas que marcaram os 28 anos de Muro de Berlim.

A primeira dessas histórias é a fuga do soldado Conrad Schumann. Ele fora designado para

Soldado Conrad Schumann

controlar a linha divisória na Rua Bernauer, ainda separada somente por arames farpados, e então no dia 15 de agosto de 1961, apenas dois dias após o início da construção do muro, o soldado atirou fora o seu fuzil, e pulou sobre o arame, passando definitivamente para o lado ocidental.

As tentativas de fuga através de túneis subterrâneos foram inúmeras. A primeira delas é a nossa segunda história, que se deu em 24 de janeiro de 1962, quando 28 pessoas fugiram pelo túnel, cavado abaixo do portão de uma casa, que ficava na fronteira e ia até o Ocidente.

No mesmo ano, em 8 de junho, 14 alemães orientais seqüestraram um barco de passageiros no Spree, atravessando a fronteira pelo rio sob um tiroteio dos soldados da RDA, e com alguma sorte fazendo a nossa terceira história ser bem sucedida.

Peter Fechter

A quarta história que contamos traz a primeira vítima fatal do muro de Berlim. Em 17 de agosto de 1962, jovem pedreiro Peter Fechter, com apenas dezoito anos, foi alvejado mortalmente pelas costas pelos soviéticos, ao tentar atravessar a barreira na altura da rua Zimmerstrasse. Como caiu ainda dentro do território oriental, os soldados aliados não podiam buscá-lo sem serem alvejados, e os soviéticos, temendo tornarem-se alvos (uma vez que um soldado havia sido morto por um aliado dias antes), demoraram uma hora para retirar seu corpo, que ficou jogado na barreira. O adolescente morreu pouco após ser resgatado. No local, ergue-se hoje um monumento em homenagem a ele.

Ainda em 62, Dieter Hoetger e o amigo Siegfried Noffke deixaram para trás suas mulheres e seus filhos, em Berlim Leste. Queriam a fugir para o Ocidente por um túnel cavado na adega. Infelizmente a fuga acabou mal. Dieter Hoetger, confessa: “nunca vou esquecer o que aconteceu aqui em Junho 1962, ao meio-dia.” . Seu

Mulher escondida entre duas pranchas de surf

companheiro de aventura foi morto à saída do túnel. Alguém os traiu sobre a existência do subterrâneo e ele não voltou a ver Noffke, pois seu  corpo nunca foi encontrado. Dieter  foi levado para a prisão da Stasi.

Para fechar o ano, um dia após ao natal, um ônibus blindado, com duas famílias a bordo , cruzou em disparada o posto de controle Drewitz, e nem mesmo uma metralhadora pode detê-lo.

Em 1963, os irmãos Ingo e Holger Bethke voaram em uma espécie de ultraleve de Berlim Oeste para Berlim Leste a fim de resgatar o irmão Egbert. A pequena aeronave levava

Mulher escondeu seu bebê dentro do carrinho de compras

como disfarce um selo soviético, e graças a ele o plano foi bem sucedido.

Nossa oitava história aconteceu já no fim de 1963, quando o ator Wolfgang Fuchs reuniu um grupo de jovens, que iniciaram a construção de um túnel debaixo do muro. Foram escavados, durante dez meses, um subterrâneo de 145 metros de extensão, 80 centímetros de altura, numa profundidade de 12 metros. Nos dias 3 e 4 de outubro de 1964, 57 pessoas conseguiram fugir para o lado ocidental. No dia 5 de outubro, a polícia descobriu e fechou o túnel.

A nova história que contamos é para mim umas das mais interessantes. É ela o drama de Peter Selle, casado com uma alemã que morava no Leste e não tinha permissão da RDA para se mudar para o Ocidente do país, onde ele vivia. Desesperado com a separação, em 1966, ele fingiu estar interessado por outra moça muito parecida com a sua mulher e a levou até a RDA. Lá, roubou os documentos dela e, com eles, fez com que sua verdadeira companheira passasse sem problemas pelo posto de fiscalização. A suposta namorada ficou “aprisionada” em um país que não era o seu e o caso veio à tona por meio da família dela. Selle foi preso por sete meses.

Em 1974, Christa Feurich apaixonou-se por um suíço, Peter Gross, que trabalhava na embaixada em Berlim Leste. Christa estava a tentar passar para Ocidente escondida no porta bagagens do carro de Peter, mas foram traídos, e passaram mais de três anos na prisão antes de conseguir alcançar de fato o lado Ocidental.

Em 1977, a mesma idéia ajudou uma cantora a fugir para a Alemanha Ocidental. Ao invés de esconder-se no porta-malas, com a ajuda de seu namorado ela se escondeu dentro de uma caixa de som e ganhou a liberdade.

Já em 1979, na noite de 16 para 17 de setembro, os casais Strelzik e Wetzel, com os seus quatro filhos entre dois e quinze anos, fugiram a bordo de um balão caseiro, alcançado a Alemanha Federal.

Balão utilizado pelos casais Strelzik e Wetzel

Entre todas essas, houve diversas outras tentativas de fuga, como as pessoas que mudavam o tanque de combustível dos carros para colocar gente lá dentro escondida e cruzar a fronteira (depois de um tempo, a RDA descobriu isso e passou a usar um equipamento que media o tamanho desse tanque), ou aquelas que ficavam embaixo do motor de seus carros para furar a fiscalização. Foram utilizadas malas com fundos falsos, carros blindados que eram lançados contra o muro e contra suas cancelas e até mesmo uma catapulta que jogava as pessoas por cima do muro. Ficou famoso também o homem que, dirigindo seu conversível, se aproximou da cancela e simplesmente pulou para o outro lado.

Logo na entrada do museu se encontra o Fusca de Kurt Wordel. Foi com esse carro que o alemão diz ter ajudado 55 pessoas a fugir da Alemanha Oriental para a Ocidental entre 1964 e 1966, quando foi preso em uma de suas tentativas de fuga.

Fusca de Kurt Wordel

O último incidente fatal ocorreu no dia 8 de março de 1989, oito meses antes da queda, quando Winfried Freudenberg, de 32 anos, morreu na queda de seu balão de gás de fabricação caseira no bairro de Zehlendorf, quando tentava transpor o muro.

O número de vítimas fatais jamais foi revelado com exatidão. Alguns relatos apontam para 192 mortos, outros para 125 ou 80. O número de feridos também diverge conforme a versão, teria sido entre 112 e 200 pessoas. Cerca de 3200 pessoas foram presas acusadas de tentativa de fuga, e a média é que para cada dez pessoas que tentavam escapar, oito eram bem sucedidas em suas fugas.

Para quem quiser saber mais sobre os fugitivos, sugiro uma rápida visitinha à Alemanha, onde

Mulher colocada dentro de duas malas

poderão visitar o museu e até mesmo dar uma olhada no que sobrou do muro.

Brincadeiras a parte, segue o link do site do museu, hoje localizado onde erguia-se o posto de comando The Checkpoint Charlie…  (http://www.mauermuseum.de/) Aqueles que se interessaram podem dar uma olhadinha e dizer o que acharam aqui nos comentários.

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Uma resposta para Pulando a cerca…ops!…o Muro.

  1. Raphael Furquini disse:

    Legal, Pri! No documentário que a Juh colocou no post Muro de Berlim tem algumas dessas histórias, vou tentar editar e colocar aqui. =)

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