Traçando relações

Nos posts anteriores, vimos alguns conceitos interessantes. No post do Rapha, vimos como se deu a consolidação das duas superpotências que protagonizaram a maioria dos eventos relacionados à guerra fria: os EUA e a URSS. Já no post da Ju, vimos uma crítica inteligente e bem humorada ao trabalho e a vários outros valores da economia de mercado. Para dar continuidade à discussão, é necessário relacionar essas informações, e para fazer isso é necessário conhecer algumas teorias econômicas e sócias.

Após a primeira revolução industrial, os europeus começaram a indagar o que fazia com que um país fosse rico ou pobre, ou seja, começaram a indagar o que fazia a economia crescer. Nessa época foram desenvolvidas as “Leis Naturais da Economia Clássica”, que, de acordo com seus autores (Adam Smith, Ricardo, Malthus e etc), eram tão válidas para o mundo social e econômico como as leis dos cientistas para o mundo físico. As leis basicamente afirmavam que o bem-estar da sociedade estava ligado ao indivíduo e na sua constante busca pelo benefício próprio. Assim, a economia, e consequentemente a sociedade, progredia mais rapidamente em um cenário de livre concorrência, sem interferência estatal. Além disso, a questão da desigualdade era resolvida afirmando-se que o valor do capital estava diretamente ligado à quantidade de trabalho aplicada a uma mercadoria, de forma que, àqueles que tinham mais capital eram merecedores dele por terem trabalhado mais.

Essas teorias foram muito bem aceitas… pelos ricos. Eles encontraram nas Leis Naturais justificativas para todos os seus atos e confortos. Entretanto, os trabalhadores começaram a questionar o fato de que, trabalhavam cada vez mais, e ganhavam cada vez menos, enquanto os donos das empresas, que não trabalhavam, ficavam mais e mais ricos. Foi Karl Marx quem criticou esses diversos conceitos, afirmando, por exemplo, que o valor de uma mercadoria não estava relacionado unicamente ao trabalho nela empregado, que não eram os que trabalhavam que recebiam os lucros e que o crescimento na sociedade do capital apenas resulta no aumento do desemprego e na alienação dos trabalhadores (que é retratada no filme “Tempos Modernos”). Assim, o capitalismo não poderia se sustentar.

A solução proposta era bem direta. No Manifesto Comunista, Marx e Engels explicam como abolir a propriedade privada, retirando o controle dos meios de produção da burguesia: uma revolução.

“Os comunistas não desejam esconder suas opiniões e objetivos. Declaram abertamente que seus objetivos só podem ser atingidos com a derrubada pela força de todas as condições sociais existentes. Que a classe dominante trema com a revolução comunista. Os proletários não têm nada a perder, senão suas cadeias. Têm tudo a ganhar.”

Após a revolução, todas as terras deveriam ser divididas e todas as indústrias deveriam ser estatizadas. Um governo deveria comandar todos esses recursos, até o momento em que a sociedade estivesse de tal maneira bem estruturada e justa que ele não seria necessário.

O principal problema em discutir essa teoria é que ela não aceita questionamentos, uma vez que qualquer argumento contra o comunismo é imediatamente interpretado como resultado da ideologia e alienação burguesas. Assim ficam em abertos questões como: Será que os métodos revolucionários conseguiram criar uma sociedade igualitária? Será que, ao subirem ao poder, os comunistas não se tornaram aquilo que tanto combatiam? Afinal, qual é mais (im)provável: que o capitalismo consiga se reinventar de forma a ser social e ambientalmente sustentável, ou que o socialismo consiga, estabelecer uma sociedade verdadeiramente igualitária, seguida pela auto desintegração de um governo autocrático?

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