O Muro

“Terrível! Esta fronteira de pedra ergue-se… ofende os que desejam ir para onde lhes aprouver, não para um túmulo de massa. Um povo de pensadores.”

Volker Braun, 1965

Acho que já falamos bastante dos momentos que antecederam a guerra fria, então já está na hora de falarmos um pouco sobre tudo aquilo que ocorreu durante ela… E pra começar, nada mais justo do que falar sobre a muralha que se tornou um símbolo desse conflito.

Bom, como todos sabem, logo após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida, na prática, no lado Oriental, sob influência da União Soviética e o lado Ocidental, sob influência dos Estados Unidos, Inglaterra e França. A cidade de Berlin, apesar de estar do lado leste do país, também foi dividida em duas, por ser a capital. No entanto, muitas pessoas que moravam na parte oriental discordavam do regime comunista imposto na região e milhões mudaram de lado.

Por esse motivo, autoridades resolveram isolar, aos poucos, a parte oriental da cidade para evitar o êxodo populacional. Entretanto, ainda em junho de 1961, o chefe de governo e secretário geral do Partido Socialista Unitário da República Democrática Alemã, Walter Ulbricht afirmou: “Não tenho conhecimento de um plano desses, já que os operários da construção estão ocupados levantando casas e toda sua mão de obra é necessária para isso. Ninguém tem a intenção de construir um muro”.

Nos bastidores, porém, já corriam os preparativos para a construção do muro que ficou conhecido para os alemães orientais como “muralha de proteção antifacista”. Então, à 1h05 da madrugada de 13 de agosto de 1961, comandados pelo secretário do conselho nacional de defesa, Rich Honecket, as forças armadas apagaram a iluminação de rua no Portão de Brandemburgo, cartão de visita de Berlim, e bloquearam as conexões de trânsito à parte ocidental da cidade.

Já bem cedo pela manhã, a população que vivia próxima a linha que separava a capital em duas partes foi despertada pelo barulho que faziam milicianos da República Democrática da Alemanha e as forças armadas ao estenderem um interminável arame farpado de um poste a outro, ao mesmo tempo em que se iniciava a construção do Muro de Berlim.

Seis horas mais tarde, a fronteira, contornando os 155 quilômetros de Berlim ocidental, estava toda cercada, impedindo o contato dessa área capitalista com a região comunista que a circundava. Os moradores dessa área podiam sair livremente para o lado oriental, apenas o caminho inverso era proibido.

A guerra fria entrava em uma nova fase, em que a cortina de ferro deixava de ser uma expressão retórica para assumir a forma de uma fronteira fortificada. Dos 81 postos fronteiriços em Berlim, 69 foram fechados logo durante a construção da barreira, e outros cinco tiveram igual destino nos dias que se seguiram. Os sete restantes passaram a ser utilizados para tráfego de mercadorias e a entrada de pessoas que visitavam a Alemanha Oriental.

Era oficial, o muro, do qual faziam parte 66,5km  de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com arame e 255 pistas para ferozes cães de guarda, dividia agora ruas, cemitérios, propriedades e até famílias, tudo da noite para o dia.

As potências ocidentais protestaram, mas nada fizeram. Para os Berlisienses de ambos os lados da fronteira, a brutalidade do muro passou a fazer parte do cotidiano: apenas 11 dias após a construção, morreu o primeiro alemão-oriental abatido a tiros durante sua tentativa de fuga.

Com a decadência da união Soviética e da Guerra Fria nos anos 80, a passagem de pessoas entre a Alemanha Oriental e Ocidental se tornou cada vez mais fácil até que, em 1989, o chefe de estado da parte comunista renunciou e a fronteira foi aberta. Pessoas foram ao muro para bater com picaretas e ajudar a destruir de uma vez por todas aquele símbolo da Guerra Fria. No ano seguinte, o governo mandou soldados colocarem tudo a baixo e unir novamente o país.

O que aconteceu durante a existência do muro e tudo aquilo que veio depois ainda será analisado por nós e passado a vocês leitores. Aguardem.

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Uma resposta para O Muro

  1. Tatyane Estrela disse:

    Texto impecável, de agradável leitura, claro, conciso e preciso no que quis demonstrar: o momento da construção do muro e as dinâmicas sociopolíticas que motivaram tanto o erguimento do muro quanto a sua destruição. Pri, seu texto demonstra algo que eu acredito, que a união de ciência e arte pode gerar a excelência.

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