A linha de meio – campo

O futebol é sempre colocado como um esporte que une as pessoas, e que a Copa do Mundo é o máximo dessa união a qual todos se veem torcendo juntos por suas seleções. Mas na Copa de 1974 esse sentimento não estava tão presente, pela primeira vez a Alemanha Oriental se classificou para o mundial, e foi juntamente quando o campeonato foi realizado na Alemanha Ocidental.

E mais do isso, ironicamente, ou tragicamente, as duas Alemanhas foram sorteadas para o mesmo grupo e se enfrentaram em um dia que ficou marcado, não apenas na história do futebol, mas também nas histórias alemã e mundial. 22 de junho, cidade de Hamburgo, estádio Volksparkstadion, onde 60. 035 torcedores acompanharam o embate. Foi o último jogo da primeira fase e as duas seleções disputavam o primeiro lugar. Com a base campeã da Europa de 72 e já com um título mundial, em 1954, os Ocidentais eram mais que favoritos na partida.

O jogo começou com as duas seleções se respeitando muito, com um futebol mais cauteloso, mas nenhum dos dois lados queria sair de campo derrotados. Houveram poucas chances de gol, mas nem por isso o jogo foi menos emocionante, com as duas equipes demonstrando muita garra e determinação. Todos ali presentes acreditavam que a partida terminaria sem gols mas aos 32 minutos do segundo tempo Jürgen Sparwasser conseguiu balançar a rede dos ocidentais, levando a Alemanha Oriental a vitória..

Entretanto a partida foi cercada de algumas polemicas, por existirem boatos de que os ocidentais teriam entregado o jogo para não pegarem a Holanda de Johan Cruijff, que vinha embalada na competição, mas os jogadores da RFA sempre negaram. Realmente os orientais foram para a segunda fase enfrentar os holandeses e acabaram eliminados da competição, já a Alemanha Ocidental passou pela segunda fase sem dificuldades em grupo mais fácil, chegando na final para, assim como a outra metade alemã, enfrentar a Holanda.

Os orientais festejaram muito a vitória e o autor do gol, Sparwasser, que foi considerado um heroi nacional e se tornou um dos principais garotos-propaganda do regine comunista, mas o jogador não quis se alinhar com o governo, chegando inclusive a desertar do país, quando participava de uma competição de veteranos no lado ocidental.

Entre os ocidentais a comemoração foi ainda maior, pois na final conseguiram derrotar o grande “Carrocel Holandês” e ficar com o taça de Campeões do Mundo, chegando ao bicampeonato.

Uma partida que sempre será lembrada por não ser apenas mais um jogo de futebol, mas por ser também uma disputa entre duas políticas, dois regimes, dois sistemas, dois mundo. E um só país!


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Sobre Raphael Furquini

Futuro BC&Hagueiro e Economista.
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Uma resposta para A linha de meio – campo

  1. Tatyane Estrela disse:

    Muito pertinente essa postagem. Ela desmistifica um pouco a idéia de união existente na copa do mundo. Há todo um simbolismo por trás dos jogos da copa e interesses econômicos e políticos que utilizam essa “grande festa” para obter vantagens.

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