Um pouco de História

Os indivíduos sempre buscaram reconhecer a sua identidade, para que dessa forma, pudessem se unir a outros indivíduos que compartilhassem dos mesmos interesses. Essa busca pela identidade ou iguala um determinado grupo de pessoas diferenciando-as das demais, ou faz com que o indivíduo busque se igualar a um todo, procurando se enquadrar na “normalidade”. Mas o que é ser normal? Até onde vai essa normalidade? Ou o que é ser diferente? E quais os benefícios de se tentar ser diferente?

Estas são perguntas retóricas, pois não há nada que podemos utilizar como base de comparação para enfim podermos dizer o que seria ser normal e o que seria ser diferente.

Frente ao direito, somos todos iguais perante a lei. Porém o próprio direito acaba por se contradizer ao enquadrar nas leis determinadas situações que não são atribuídas à maioria. E ao mesmo tempo em que somos todos iguais, possuímos o direito à personalidade (palavra utilizada no sentido jurídico), que é atribuída ao indivíduo de forma particular, intransmissível e irrenunciável.

A sociedade nos impõe a necessidade de possuirmos uma identidade, ou seja, caracteres como, por exemplo, nome e sexo, que são exclusivos de cada indivíduo, o que permite seu reconhecimento.

Mas nada garante que essa identidade seja condizente com a personalidade (palavra utilizada no sentido científico).

A partir do momento em que identidade e personalidade divergem, surgem os conflitos referentes a um conceito pré-estabelecido entre o que seria moralmente correto e a realidade encontrada.

Surge, então, um preconceito. A partir deste, um indivíduo tenta definir o que seria certo ao outro, tentando manipular o outro através de suas crenças.

Na própria história da humanidade, podemos identificar figuras que tentaram, a partir de sua identidade, manipular indivíduos próximos a ela, fazendo-os se voltar contra aqueles que não se adequavam a essa identidade dita como correta.

Um exemplo disso foi o regime Nazi-Fascista, instaurado por Adolf Hitler, na Alemanha, que buscou através de uma ideologia preconceituosa, a ascensão de um povo perante outros.

Essa necessidade de ter que se enquadrar em um determinado grupo para encontrar uma identidade fez com que o mundo ficasse dividido em dois durante muitas décadas.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, o mundo dividiu-se em dois de acordo com as ideologias exaltadas naquele período: a capitalista e a socialista.

Países adeptos ao socialismo encontraram como alicerce o grande poder que emanava da URSS. E países capitalistas aliaram-se a outra grande potência, os Estados Unidos.

A Alemanha, após a derrota na segunda guerra, foi dividida em quatro zonas. E dentre essas zonas, uma pertencia a União Soviética e outra aos Estados Unidos.

A zona sob domínio da URSS aderiu à ideologia socialista, enquanto a zona sob domínio dos Estados Unidos aderiu ao regime capitalista.

A Alemanha dividiu-se em Alemanha Oriental (República Democrática da Alemanha) – socialista – e Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha) – capitalista.

Essa separação culminou, por exemplo, na criação do Muro de Berlim, sendo esta uma divisão concreta e não apenas teórica entre tais ideais.

Os indivíduos que habitavam cada uma dessas regiões foram obrigados a se adequarem a essa nova realidade. Uma realidade imposta.

A individualidade e a liberdade de escolhas se perderam. Buscou-se uma homogeneidade capitalista de um lado e uma homogeneidade socialista do outro. Ou as pessoas seguiam uma ideologia ou estavam fora dos padrões.

Esse fato histórico nos mostra claramente como sempre nos é imposto um comportamento, como nos são dadas escolhas limitadas do que seria ou não correto.

Para os capitalistas, eles estavam certos, acreditando que o seu regime seria o melhor.

Para os socialistas, eram eles que estariam certos e o seu regime que seria o melhor.

Então não há parâmetros, não há bases para sabermos o que verdadeiramente é ou não melhor; não apenas referente a tais ideologias, mas em relação a diversos outros fatores.

Sempre sofreremos imposições, independente do período ou do lugar em que vivermos, pois é inerente ao homem tentar impor ao outro a crença que ele possui em si tida como correta.

Mas o verdadeiro problema, ainda maior do que o da imposição é o fato das pessoas acreditarem que outros possam impor a elas uma determinada forma de ser, de pensar e de agir.

Não podemos ferir ou ultrapassar os limites de direito do outro. Mas podemos ultrapassar os nossos próprios limites, aqueles que nos classificam como seres constantes.

Não somos constantes, não somos idênticos, não somos iguais. Somos um pouco de tudo. Concreto e abstrato. “Certo” e “errado”. Livre e subordinado. Somos contradição; algo inconstante.

E assim, identidade é mera formalidade. Uma forma de sermos reconhecidos pelo que dizem que somos. E sem nenhuma garantia do que realmente acreditamos ser.

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Sobre Juliana Fabbron

Graduanda em Bacharelado em Ciências e Humanidades na Universidade Federal do ABC - UFABC. Graduanda em Direito na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo - FDSBC. Iniciação Científica: "Análise das Práticas de Avaliação e Monitoramento de Políticas Públicas na região do Grande ABC".
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Uma resposta para Um pouco de História

  1. João Danilo disse:

    Muito interessante este debate, Juliana. Aqui entra a pergunta: “Somos o que vemos de nós mesmo, ou somos aquilo que os outros nos veem?” Será que somos tão influenciados pela sociedade e o ambiente que vivemos? Vale a pena vocês darem uma lida no texto de Pierre Bourdieu “Espaço Social e Espaço Simbólico”, que fala sobre como somos influenciados pelo meio em que vivemos.

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