Adeus, Lênin!

O filme “Adeus, Lênin! ” retrata as conseqüências da mudança de regime político no cotidiano de uma família comum.

Com o surgimento da Guerra Fria (logo após o término da Segunda Guerra Mundial-1945) e as disputas armamentistas e ideológicas entre duas grandes potências, Estados Unidos e URSS, torna-se comum o conceito de “fronteira ideológica”. Ou seja, não se trata mais apenas de vigiar as fronteiras do país, mas qualquer região ou instituição que seja atingida pela ideologia contrária ao regime do país.

Dessa forma, há diversas perseguições a pessoas contrárias ao regime do país em que vive e por conseqüência a fuga dessas mesmas pessoas para outros países. O filme retrata esse fato, mostrando a separação de uma família, permanecendo no país a mãe e os filhos enquanto este é abandonado pelo pai.

Há a retratação do processo de mudança da Alemanha Oriental em decorrência das mudanças ocorridas no centro do socialismo, a URSS.

A URSS passa por reformas tanto políticas quanto econômicas durante o governo de Gorbatchev (a partir de 1985). A reforma Perestroika permitiu uma reestruturação na economia e a Glasnost uma reestruturação política.

Essas reformas causaram instabilidade na União Soviética, em função de insatisfações políticas e econômicas, contribuindo para a ruína da URSS.

Dessa forma, as conseqüências ultrapassaram as barreiras da URSS e atingiram países socialistas como por exemplo a Alemanha Oriental, culminando na queda do Muro de Berlim e conseqüente enfraquecimento do sistema socialista e adesão ao sistema capitalista, havendo, portanto, a reunificação da Alemanha.

O filme mostra esse enfraquecimento do socialismo e a mudança de regime através do cotidiano de uma família, das necessidades de se adequar às novas características vigentes no país.

E muito mais do que uma mudança política, esse período foi caracterizado pelo fortalecimento da ideologia capitalista, que disseminou seus ideais pelo mundo e fez surgir a maior potência econômica mundial, os Estados Unidos.

Sinopse

No ano de 1989, na Alemanha Oriental, começam a surgir insatisfações com a forma de governo marxista-leninista. Surgem, então, manifestações populares contra esse regime socialista.

Um dos participantes dessas manifestações é Alex, filho de uma professora adepta ao socialismo. Certa noite ocorre uma passeata e esta é controlada pelo exército, que prende diversos manifestantes, dentre eles Alex.

A mãe de Alex o vê sendo preso e sofre uma parada cardíaca que a leva ao estado de coma.

Ela permanece no hospital por diversos meses e durante esse tempo Alex conhece uma enfermeira chamada Lara e apaixona-se por ela.

Sua mãe se recupera e os médicos alertam Alex sobre os perigos da Sra. Kerner sofrer grandes emoções e por conseqüência um novo ataque cardíaco que poderia ser fatal. Alex decide levar sua mãe para casa e privá-la das mudanças que ocorreram na sociedade enquanto ela estivera em coma.

Como o muro de Berlim já havia caído e a Alemanha também havia se unificado, Alex cria um “mundo fictício” para sua mãe. Ele grava fitas com notícias antigas, dá à sua mãe produtos em embalagens antigas, de antes da reunificação e faz com que as pessoas ajam como se nada tivesse mudado.

Começam a aparecer, para a Sra. Kerner indícios da nova sociedade e mais uma vez Alex tenta privá-la de tantas informações, visando preservar a saúde de sua mãe.

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Sobre Juliana Fabbron

Graduanda em Bacharelado em Ciências e Humanidades na Universidade Federal do ABC - UFABC. Graduanda em Direito na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo - FDSBC. Iniciação Científica: "Análise das Práticas de Avaliação e Monitoramento de Políticas Públicas na região do Grande ABC".
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Uma resposta para Adeus, Lênin!

  1. Tatyane Estrela disse:

    Excelente filme, nada mais apropriado para nos fazer compreender os impactos sociais causados pela existência do muro de Berlim. Além de ter sido um “muro físico”, dividia duas ideologias que permeavam as vidas das pessoas. Seria legal fazer um link com o blog O Hepteto, que trabalha a temática da ideologia política, uma vez que o “The Checkpoint Charlie” se tornou um símbolo da luta ideológica que perdurou por toda a Guerra Fria.

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